Televisão: Cada vez mais falando da esquina.

4 de Agosto de 2009

Lembrei hoje de uma entrevista a alguns anos atrás dada pelo José Zovico, dono da TV Jornal de Limeira, em razão do aniversário da mesma. Dentro de todos os tópicos daquela entrevistas, principalmente sobre os planos de ampliação futura da emissora (hoje já concretizados) uma frase me prende a atenção até os dias de hoje: “O futuro da televisão é regional”. Talvez seja mesmo. E não há indício melhor pra mostrar que o seu reinado entre as mídias esteja acabando.

Ao contrário do que posso parecer, isso não é um ato de má-fé da minha parte, muito pelo contrário. Nada enriquece mais a televisão do que a experiência da regionalização. Apenas comparo isso à outros cliclos que outros veículos de comunicação viveram, começando pelo jornal.

No início do século eram os principais meios de informação da população, e os grandes jornais tinham prestígio. Veiculavam nacionalmente as notícias, mesmo que demorassem semanas para chegar nos rincões do país. Mas aí veio o rádio, que interligava o Brasil instantâneamente em rede nacional. O jornal sobreviveu, limitando-se a sua região e se identificando com ela.

Como todos nós sabemos, o rádio sofreu do mesmo fenômeno. Apesar de haverem grandes redes de rádios, ainda as locais prevalecem tranquilamente sobre estas fora das capitais. Agora resta a televisão se encaixar ao destino que se anuncia. Com custos de produção cada vez menores, a fórmula de se vincular a uma rede nacional transmitindo programas que não agradam a audiência local torna-se cada vez menos atrativo.

Veremos até onde vai o ponto de equilíbrio onde esse atual modelo ainda vai se sustentar.

PS: Vale a pena também observar outros aspectos que estão fazendo a TV regional ganhar força na matéria dessa semana da revista Veja.


Resumo: Vanguarda TV 3ª Edição

26 de Julho de 2009

Quem acompanha o mercado de televisão sabe que a Rede Vanguarda do Boni não é nada acomodada. A afiliada da Rede Globo no Vale do Paraíba é uma das integrantes da rede mais investe em programação local (e também mais fornece apresentadores para o núcleo da Globo comandando por Boninho, mas isso é outra história), o que demanda um grande investimento principalmente em jornalismo. Talvez por isso, e pela vontade de honrar o nome “Vanguarda”, ela é uma das poucas (se não for a única) a manter uma 3ª edição de telejornal no ar.

Vanguarda TV 3ª ediçãoAs “terceiras edições” já fizeram parte do formato de Praça TV da Rede Globo, mas foi abandonado no final dos anos 80 e início dos 90 (O SPTV da capital deixou de ter sua terceira edição em 1989). O notíciário local para os que dormem muito tarde ou para quem acorda com as galinhas vai ao ar às 5 da manhã de segunda à sábado e pode ser conferido no vídeo abaixo.

Vale destacar como o cenário e as vinhetas fogem totalmente do padrão da Rede Globo, e também o formato totalmente novo de previsão do tempo.


Os bastidores de uma guerra: SIC x RTP (1997)

26 de Julho de 2009

Apesar de ter provacado mal-estar na época, como mostrou o editorial antes do vídeo, essa matéria sobre os bastidores da SIC (Sociedade Independente de Comunicação de Portugal) retarata bem alguns momentos típicos de uma emissora de TV: A correria da redação, a relação com os anunciantes, as reuniões de grade de programação e as de pós-produção:


Globo mirando a “Geral.com”

15 de Julho de 2009

Dia 20 chega à TV a série “Geral.com”, a nova aposta da Rede Globo para pescar o novo público que cada vez mais foge da televisão e se esconde na internet. A proposta dessa série é misturar ficção e realidade, mundo virtual e televisão em episódios de meia hora. A Globo aparentemente marca a aposta como de alto risco, já que estão programados inicialmente apenas 5 episódios, mas acho que a idéia pode dar liga sim:

Desde a época do “Disney Club” no SBT, não houve nenhum outro programa na televisão aberta voltado ao público pré-adolescente, o que a Globo está mirando generosamente agora. Resta saber se o fato de integrar pessoas sem experiência em atuação vai ser um ponto positivo ou negativo para a série. Estaremos à conferir.

Pra quem quiser acompanhar de perto, todo o universo virtual da série está concentrado em http://geral.com.globo.com/


Programação Rede Globo – 11/7

11 de Julho de 2009

A EPTV Campinas está transmitindo hoje o jogo Vasco e Ponte Preta, coisa que outras afiliadas como a Vanguarda, TV TEM e até a EPTV São Carlos não estão fazendo. Seria a primeira vez que a Globo cede a transmissão de um jogo unica e exclusivamente pelo interesse na cidade?


Resumo: TEM Notícias

11 de Julho de 2009

A pedido do Giorgio, resolvi de vez postar o material que tinha da TV TEM, apesar das imagens não estarem tão boas assim.

Vinehta TEM NotíciasO TEM Notícias é o “Praça TV” da TV TEM, apresentado em duas edições. Apesar da emissora ter a maior cobertura de municípios do estado de São Paulo, a programação é regionalizada em Bauru, São José do Rio Preto, Itapetininga e Sorocaba. Na própria vinheta do telejornal aparece um mapa que mostra toda a área de cobertura da empresa.

Estúdio JundiaiApesar da regional estar baseada em Sorocaba, existe a necessidade de ter presença na cidade de Jundiaí, principalmente pelo fato de ser a maior cidade da região e pertencer a mancha urbana de São Paulo. Existe um estúdio na cidade, onde acontecem algumas entradas ao vivo regularmente, como foi o caso da notícia sobre o combate a dengue na cidade.

Outro fato interessante sobre o TEM Notícias Sorocaba é que atrás do vidro do estúdio não existe uma redação como de costume, ou pelo menos não aparenta ser, já que os computadores que são visíveis pela câmera geral são claramente ilhas de edição e não terminais de rede:

BÔNUS: Marcello Rosa, que nessa época aparece como apresentador e editor-chefe da TV TEM Sorocaba começou sua carreira televisiva da Globo na EPTV Campinas, como esse vídeo mostra.


Magos do som: David Dundas

4 de Julho de 2009

David Paul Dundas também era chamado como Lord David Dundas. Realeza ele tinha, e fez muito por merecer. Fez carreira curta nas paradas de sucesso das rádios, mas foi na televisão britânica que ele se consagrou.

Mas não foi no vídeo que ele exerceu seu reinado, mas nas trilhas que ele produziu. Destaco nesse post duas das minhas preferidas, e com certeza, também as mais marcantes da sua carreira, o tema principal do Channel Four, de 1982 até 1992 e da campanha “Get Ready” da ITV em 1989:

Ouça também o tema “Get Ready” em versão apenas instrumental:


A “faxmania” em 1990

4 de Julho de 2009

Ainda na onda de revirar revistas antigas, vejam essa matéria da revista Cláudia em 1990, anunciando “A Era do Fax”. Mal sabiam os rumos que a comunicação tomaria a que ninguém chegaria a ver um fax colorido…

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A cidade no ar – de 1989

14 de Junho de 2009

Uma das coisas que sempre achei legais na Veja São Paulo é a presença de uma coluna falando sobre os destaques da semana no rádio. A Época São Paulo não faz muito tempo correu atrás do tempo pardido e incluiu o assunto dentro da sua pauta. Ou pelo menos no seu blog ‘4 Paredes’

Fora esses espaços, também há ocasiões em que o rádio marca presença no noticiário regular, como aconteceu em outubro de 1989 na própria Veja São Paulo, e que você pode ler na íntegra aqui no blog, nas imagens a seguir (clique nas imagens para vê-las em tamanho ampliado)

PS: Notem a presença do nome “Globo/Excelsior”. Na época da matéria ainda não havia terminado a transição de nomes de Rádio Excelsior para Rádio Globo.

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Panelas emburrecem

7 de Junho de 2009

Renê de Paula no Braincast falou uma coisa tão importante que vale a pena ser portada pra outros assuntos.

Leiam jornais, leiam livros, andam de táxi, vão pra um boteco onde você nunca foi, (…) porque a gente corre um risco gigante de emburrecer. Se a gente ficar num mundinho fechado, a gente vai emburrecer.

Transpus essa mesma idéia pra dentro do universo da crítica e da pseudo-crítica televisiva:

Perco a conta de quantos críticas ouço sobre programas como Zorra Total, Casseta e Planeta, Márcia, Casos de Família e outros. Que não tem conteúdo, são apelativos, sensacionalistas, sem graça, bobos…

Mas mesmo assim eles mantêm Ibope e faturamento.

“Grandes críticos da TV”, nas redações de jornal ou em seus blogs de notas e números, indicam sempre a “nata” da programação, colado em notas de pesar pela baixa da audiência dos respectivos. O que está acontecendo de errado? Porquê os “sábios” não conseguem acertar nas suas previsões e fazer valer sua influência?

A conclusão é simples e óbvia, já explícita na frase dita por Renê: Não estamos mais na rua. Na divida proporção que cada vez nos fechamos mais no nosso mundinho, nós emburrecemos. Emburrecemos nas análises, nos dados, nas informações de quem realmente decide o jogo: O telespectador.

Da mesma forma que precisamos cada vez mais colocar o jornalismo de volta na rua, conversar mais com pessoas de verdade e menos com o Google, precisamos de gente que analise a televisão captando o mesmo ponto de vista daquela dona de casa que assiste o programa de barracos vespertino: Entender seus anseios, o que te agrada, o que comenta durante o intervalo e até as situações em que discute sozinha com o aparelho, mas nunca chegar com 3 pedras em cada mão, como já virou costume.

Agora somem esse crítico de TV que desconhece o meio com o repórter que nunca vai a rua e a enxurrada de assuntos reciclados virando pauta. Difícil entender a crise do jornalismo?