Archive for julho, 2010

Por dentro da BBC Radio 1

13 de julho de 2010

Já que vimos por aqui o controle-mestre dos canais de TV da BBC, que tal dar uma volta pela redação e pelos estúdios da Radio 1 na companhia da não muito atenciosa Annie Mac?

Por favor, não se percam:

A liberdade tem pedágio

11 de julho de 2010

A Lei Nº 9.849 foi a que criou em 26 de setembro de 1967 a Fundação Padre Ancheta. O primeiro artigo desta lei deixa claro:

A Fundação de que trata este artigo, com a denominação de Fundação “Padre Anchieta” – Centro Paulista de Rádio e TV – Educativa, terá autonomia administrativa e financeira e seu prazo de duração será indeterminado.

Do papel para a realidade, duas questões se diferenciam: A autonomia administrativa e a autonomia financeira. A primeira pode ser até fácil de realizar, mas a segunda é uma armadilha da qual nem as emissoras comerciais escapam e que sempre acaba interferindo na primeira.

É importante conhecer estas facetas para poder analisar e compreender dois casos que se relacionam e que chamaram a atenção da opinião pública esta semana: A suposta demissão de Heródoto Barbeiro do programa Roda Viva e a demissão de Gabriel Priolli da direção de jornalismo da TV Cultura[*], a emissora de TV da fundação.

No caso do Heródoto a falta de informações confiáveis sobre o fato acontecido fez com que muitos acreditassem retrospecto das relações incestuosas e danosas que a emissora já teve com o governo de São Paulo no passado recente. Fatos que não podem ser negados, mas que precisam ser esclarecidos em suas motivações: O verdadeiro patrão de um meio de comunicação em um sistema capitalista é e sempre será aquele que paga as sua contas, e com a TV Cultura não seria diferente.

Poucos nestas horas se lembram da crise financeira que a emissora atravessou em 2003. Eu acompanhei a olhos vistos e contrariados os intermináveis reprises de programas como as eternas “Ofertas de Verão” do Vitrine feitas puramente de matérias de arquivo. Para se salvar desta situação o funcionamento da Fundação se flexibilizou, trazendo a possibilidade maior participação de anunciantes e aumento de ganhos através do licenciamento de produtos pela Cultura Marcas, mas nada permitisse romper seu cordão umbilical financeiro com o governo estadual. Relacionamento este chegou em níveis críticos em 2008 com um acordo entre a emissora e o governo que acabou por firmar regras rígidas para os repasses. Apesar de garantir a subsistência da Fundação o acordo enforcava ainda a independência como organização, cerceando suas ações.

Com este cenário exposto me pergunto: Onde andavam as vozes que hoje criticam o intervencionismo político na Fundação quando a mesma esteve com a corda no pescoço? Faltou e ainda falta participação pública naquilo que é o mais fundamental para qualquer autonomia de um órgão: Verba.

Podemos pensar em modelos de financiamento direto como o da BBC, por meio de doações como a PBS americana ou simplemente uma união de entidades privadas dispostas a financiar este projeto, mas há de se fazer algo para fechar as contas ou as discussões nunca passarão de murmurações tendo como pano de fundo o cenário eleitoral.

Enquanto a Fundação Padre Ancheita não sair da casa dos pais nunca vai poder dar aquela festa na sala sem ter que dar satisfações à eles.

[*] Deixo registrado aqui uma incoerência entre as reportagens da Folha de São Paulo, já que no dia 2 de julho a mesma publicou que Gabriel seria coordenador de jornalismo e não diretor como foi publicado no dia 10.