Posts Tagged ‘TV Cultura’

Mais um game show? É, quem sabe… Sabe?

13 de maio de 2013

Dia 13 estréia na TV Cultura estréia o programa de perguntas e respostas “Quem Sabe Sabe”. Fica no ar uma mistura de antigo e novo um tanto difícil de explicar.

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“Quem Sabe, Sabe!” (QSS) estreou nos anos 80 na Cultura. A idéia de ressuscitar ao menos o nome de uma atração empresta uma certa credibilidade para a nova empreitada da emissora. Mas é muito mais no presente que as apostas são feitas para essa nova-antiga atração.

Trazer um programa que abrange toda a família é uma “cola” que talvez funcione no abismo que é a programação atual da TV Cultura. Ela serve muito bem ao público infantil durante a manhã e a tarde mas fica sem continuidade para o horário da noite e o público mais crescido. Quem sabe… cola.

Outros fundamentos para acreditar que o QSS funcionará e irá se diferenciar do padrão de game show que vemos por toda parte é que, pelo menos pelo que sabemos até agora, haverá a utilização de um tabuleiro virtual e a terá interação com a “segunda tela”. Cenários virtuais tem se tornado uma contante na programação da TV Cultura: Guia do Dia, Pronto Atendimento, Matéria de Capa e Legião Estrangeira lançam mão do recurso. É bastante coisa. Bem, depois da fábrica de cenários ter sido desativada dentro dos cortes promovidos pelo atual presidente da Fundação Padre Ancheita João Sayad é até de se entender que isso tenha acontecido. (Longe de ter sido uma decisão certa, na minha opinião.) Mas se o recurso for utilizado no QSS será bem vindo, casando bem com a proposta jovem e online do programa.

O apoio da versão moderna do jogo sobre o conceito de ‘segunda tela’ também é coerente com a Cultura tem feito nos últimos tempos. Inclusive o domínio http://segundatela.tv é de propriedade da emissora. Um detalhe bem pensando para simplificar o uso. A segunda tela aplicada a esse tipo de programa pode funcionar muito bem. Quem nunca ficou chutando em casa um resposta que um participante da TV não sabia? Com inteligência e integrando isso de forma interessante ao programa pode essa participação do telespectador em tempo real pode deixar o programa muito mais interessante.

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O mais é assistir. “Quem Sabe, Sabe!” estréia dia 13 de maio, às 19:20

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Uma câmera na mão e um microfone também

10 de novembro de 2010

Em idos 1999 enquanto nas grandes cidades se discutia como os bilhetes eletrônicos roubariam os empregos dos cobradores de ônibus as redações discutiam se os videorrepórteres roubariam os empregos dos cinegrafistas.

O caderno de TV do Estadão foi atrás para entender aquele fenômeno e falou com gente que até hoje se mantém na vanguarda das novas linguagens televisivas, como o Aldo Quiroga.

Um jeito diferente de ver e fazer uma comemoração

2 de novembro de 2010

Até hoje não presenciei melhor comemoração de aniversário de uma emissora como os 30 anos da TV Cultura de São Paulo completados em 1999. Até as comemorações dos 40 anos em 2009 deixaram muito a desejar comparado aquela programação especial que envolveu uma excelente seleção de reprises, programas especiais e identidade visual. Podemos ver bastante disso nesta chamada:

A vinheta de chamadas sugerem no seu visual a primeira idéia das comemorações: Uma janela para o passado, entrando no túnel do tempo da televisão. Elas também trazem o artifício muito interessante de citar também o dia da exibição, não somente o dia da semana.

A programação da TV Cultura foi reorganizada naquela época para permitir não apenas flashes de programas antigos mas sim reapresentações completas. Foi desta forma que tive o prazer de assistir episódios completos da versão preto-e-branco (até então a única) de Vila Sésamo no Brasil.

Para localizar os telespectadores toda exibição de programa de arquivo era iniciada por uma vinheta musical que é lembrada por muita gente até hoje:

Agora numa geração totalmente online a Cultura, não mais apenas TV, busca se tornar referência no desbravamento de novas mídias. Tem todas as chances para de fato ser, desde que lembre-se de olhar o seu rico passado.

Logo - 30 anos

A liberdade tem pedágio

11 de julho de 2010

A Lei Nº 9.849 foi a que criou em 26 de setembro de 1967 a Fundação Padre Ancheta. O primeiro artigo desta lei deixa claro:

A Fundação de que trata este artigo, com a denominação de Fundação “Padre Anchieta” – Centro Paulista de Rádio e TV – Educativa, terá autonomia administrativa e financeira e seu prazo de duração será indeterminado.

Do papel para a realidade, duas questões se diferenciam: A autonomia administrativa e a autonomia financeira. A primeira pode ser até fácil de realizar, mas a segunda é uma armadilha da qual nem as emissoras comerciais escapam e que sempre acaba interferindo na primeira.

É importante conhecer estas facetas para poder analisar e compreender dois casos que se relacionam e que chamaram a atenção da opinião pública esta semana: A suposta demissão de Heródoto Barbeiro do programa Roda Viva e a demissão de Gabriel Priolli da direção de jornalismo da TV Cultura[*], a emissora de TV da fundação.

No caso do Heródoto a falta de informações confiáveis sobre o fato acontecido fez com que muitos acreditassem retrospecto das relações incestuosas e danosas que a emissora já teve com o governo de São Paulo no passado recente. Fatos que não podem ser negados, mas que precisam ser esclarecidos em suas motivações: O verdadeiro patrão de um meio de comunicação em um sistema capitalista é e sempre será aquele que paga as sua contas, e com a TV Cultura não seria diferente.

Poucos nestas horas se lembram da crise financeira que a emissora atravessou em 2003. Eu acompanhei a olhos vistos e contrariados os intermináveis reprises de programas como as eternas “Ofertas de Verão” do Vitrine feitas puramente de matérias de arquivo. Para se salvar desta situação o funcionamento da Fundação se flexibilizou, trazendo a possibilidade maior participação de anunciantes e aumento de ganhos através do licenciamento de produtos pela Cultura Marcas, mas nada permitisse romper seu cordão umbilical financeiro com o governo estadual. Relacionamento este chegou em níveis críticos em 2008 com um acordo entre a emissora e o governo que acabou por firmar regras rígidas para os repasses. Apesar de garantir a subsistência da Fundação o acordo enforcava ainda a independência como organização, cerceando suas ações.

Com este cenário exposto me pergunto: Onde andavam as vozes que hoje criticam o intervencionismo político na Fundação quando a mesma esteve com a corda no pescoço? Faltou e ainda falta participação pública naquilo que é o mais fundamental para qualquer autonomia de um órgão: Verba.

Podemos pensar em modelos de financiamento direto como o da BBC, por meio de doações como a PBS americana ou simplemente uma união de entidades privadas dispostas a financiar este projeto, mas há de se fazer algo para fechar as contas ou as discussões nunca passarão de murmurações tendo como pano de fundo o cenário eleitoral.

Enquanto a Fundação Padre Ancheita não sair da casa dos pais nunca vai poder dar aquela festa na sala sem ter que dar satisfações à eles.

[*] Deixo registrado aqui uma incoerência entre as reportagens da Folha de São Paulo, já que no dia 2 de julho a mesma publicou que Gabriel seria coordenador de jornalismo e não diretor como foi publicado no dia 10.